Page 74 - Gestão Primme - 10ª Edição
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1. Você acredita que o setor filantrópi-       operadoras de saúde com os hospitais filantrópi-
            co é tratado como complementar, quan-             cos.  Estes  projetos  precisam  ser  aprofundados,
            do na prática é estrutural para o sistema         mas tem boas perspectivas, com importantes im-
            de saúde brasileiro?                              pactos positivos para todos os elos da cadeia e
               Os fatos mostram que o setor é fundamental.    principalmente para o cliente final, com utilização
            Na saúde pública, quase metade das internações    adequada de recursos com melhor qualidade as-
            e  procedimentos  de  alta  complexidade  do  SUS   sistencial. Precisamos avançar nessas iniciativas
            ocorre  em  hospitais  filantrópicos.  Sem  eles,  per-  para  que  as  entidades  não  percam  seus  valores
            deríamos metade da capacidade da medicina ter-    centrais em busca de sobrevivência financeira por-
            ciária do País. Já na saúde suplementar, as insti-  que é isso que traz o diferencial e a grande capaci-
            tuições filantrópicas de excelência são referência   dade de prestar esse tipo diferenciado de atenção
            mundial em qualidade assistencial e humanismo.    à saúde, que é indispensável para a sociedade.
            O mercado percebe essa importância, mas o cui-
            dado regulatório nem sempre reflete essa relevân-    4. Onde o setor filantrópico ainda está
            cia, obrigando muitas instituições a lutar pela so-  atrasado  em  termos  de  gestão  quando
            brevivência em vez de focarem na evolução.        comparado aos grandes grupos privados
                                                              de saúde?
               2. Hoje, qual é o maior risco para o se-          O cenário é heterogêneo. Temos desde hospi-
            tor: financeiro, operacional ou de mode-          tais  que  são  referências  mundiais  de  gestão  até
            lo? E por quê?                                    outros  hospitais  filantrópicos  em  situações  estru-
               O maior risco é, sem dúvida, o financeiro. O   turais desafiadoras. Existe espaço para evolução,
            modelo  filantrópico,  por  definição,  é  vencedor   mas essa gestão deve ser sempre balizada pelo
            pois  são instituições  sem  fins  lucrativos  foca-  foco na melhor atenção à saúde e não apenas na
            das integralmente na qualidade e no paciente.     lucratividade.
            No entanto, a sustentabilidade financeira tem
            sido uma batalha de décadas. Como sociedade,         5. A profissionalização da gestão já é
            precisamos ter um cuidado especial com esses      uma realidade ou ainda é exceção dentro
            hospitais, pois somos dependentes da sua capa-    do setor?
            cidade assistencial. Sem equilíbrio financeiro, a    Já é uma realidade, embora em níveis de ma-
            missão institucional fica comprometida.           turidade distintos. Um dos pilares da Ahfip é jus-
                                                              tamente promover a ajuda mútua para essa evo-
               3.  A  defasagem  da  tabela  SUS  é  um       lução.  Queremos  que  os  hospitais  de  excelência
            problema histórico. Na sua visão, há so-          sirvam de benchmarking e facilitadores de proces-
            lução real no curto prazo ou o setor pre-         sos de gestão para todo o cenário nacional, ele-
            cisará se reinventar independentemente            vando  o  padrão  de  eficiência  do  setor  como  um
            disso?                                            todo.
               A reinvenção é constante devido ao envelheci-
            mento populacional e às novas tecnologias, mas       6.  O  modelo  filantrópico  atual  é  sus-
            a solução passa pela reestruturação dos modelos   tentável  ou  inevitavelmente  caminhará
            de pagamento. Já vemos exceções, como as tabe-    para  formatos  híbridos  com  crescente
            las diferenciadas em São Paulo e no Rio Grande    participação privada?
            do Sul e em alguns outros lugares, não vou citar     O formato híbrido já existe e é essencial, muitas
            todos para não correr o risco de deixar alguém de   instituições usam a receita da saúde suplementar
            fora. Isso é um movimento claro na valorização,   para financiar atividades de saúde pública, ensino
            principalmente desses procedimentos de alto valor   e pesquisa, já que as isenções fiscais não cobrem
            agregado. De outro lado, já se percebe (ainda que   todos os custos. O importante é preservar a voca-
            de maneira incipiente) na forma de projetos, um   ção de cada entidade. Não faz sentido uma insti-
            desenho de relacionamento diferente de algumas    tuição vocacionada ao SUS migrar para o privado


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