Page 75 - Gestão Primme - 10ª Edição
P. 75
apenas por sobrevivência. Precisamos garantir garantir a qualidade, mantendo o diferencial do setor
a sustentabilidade de cada uma dentro de seu filantrópico onde todo lucro é reinvestido integralmen-
propósito original. te na própria instituição e na sua missão.
7. Qual é o papel da tecnologia nesse 10. Que legado a AHFIP deseja deixar
cenário: ela resolve o problema ou au- para a saúde filantrópica brasileira nos pró-
menta ainda mais a pressão financeira? ximos anos?
Ambos. A tecnologia é fundamental para de- Gostaria de reforçar que a missão das entidades
mocratizar o acesso e melhorar a saúde, mas filantrópicas, independentemente de sua vocação es-
sua absorção tem um custo alto e nem sempre pecífica, é o pilar da saúde no Brasil. A Ahfip assume
gera receita imediata. A solução é adotar estraté- a responsabilidade de ser uma patrocinadora dessa
gias coletivas e avaliações criteriosas de custo- evolução, não apenas para seus associados, mas
-benefício. Precisamos de inovação com função, para todo o sistema de saúde, investindo em qualida-
focada em gerar valor real ao paciente, para que de, segurança, ensino e pesquisa, e avançando em
o investimento tecnológico não se torne um peso modelos de compartilhamento com outras instituições
financeiro insustentável. filantrópicas, das melhores práticas, da evolução tec-
nológica e das ferramentas de gestão.
8. Que tipo de mudança regulatória
teria impacto imediato na sustentabili-
dade dos hospitais filantrópicos?
A reforma tributária é uma preocupação ime-
diata. Existe um erro conceitual que impede as
coordenado. Não se pode impor custos adicio- “ A sustentabilidade
filantrópicas de gerarem créditos tributários, o
que pode resultar em uma carga maior do que
a de instituições com fins lucrativos. Além disso,
mudanças como o piso da enfermagem e novas
financeira tem sido uma
escalas de trabalho precisam de planejamento
sociedade, precisamos
nais e redução de carga horária sem preparar o batalha de décadas. Como
mercado de mão de obra e as fontes de finan- ter um cuidado especial
ciamento. com esses hospitais, pois
somos dependentes da sua
9. Qual a sua visão para o setor filan-
trópico de saúde olhando para os próxi- capacidade assistencial.
mos 5 a 10 anos? Sem equilíbrio financeiro,
Sou otimista e tenho certeza da perenidade a missão institucional fica
do modelo de filantropia na saúde. Mas, exis- comprometida.”
tem dois caminhos: o proativo, onde sociedade
e governo reconhecem a importância do setor e Wilson Pedreira,
patrocinam sua evolução; ou o reativo, em que CEO da Ahfip – Associação dos
os problemas se avolumam e são enfrentados Hospitais Filantrópicos Privados
depois de se tornarem insustentáveis, de forma
mais custosa. Porém, não podemos ter desper-
dício de recursos em saúde. Como a saúde do
Brasil depende dos hospitais filantrópicos, eles
continuarão existindo. O ideal é que escolhamos
o caminho do planejamento e correção de dis-
torções para evitar o desperdício de recursos e
www.gestaoprimme.com.br 75

