Page 28 - Gestão Primme - 10ª Edição
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Nesse contexto, a incorporação dos proto- do Grupo Chavantes como um operador qua-
colos à rotina assistencial tornou-se um dos lificado dentro do SUS. “Ser reconhecido por
pilares da estratégia. A lógica adotada pelo padrões de qualidade e segurança em uma
Grupo Chavantes é clara: certificação não é unidade oncológica pública demonstra que é
evento, é processo. O foco está na aplicação possível oferecer assistência especializada
prática, no dia a dia das equipes, desde o no SUS com técnica, gestão, humanização e
acolhimento até a tomada de decisão clíni- responsabilidade”, ressalta Letícia.
ca. Treinamento contínuo, monitoramento de Os impactos desse modelo são men-
indicadores e auditorias internas estruturam suráveis. A adoção de indicadores como
essa dinâmica. tempo de espera, taxa de infecção e even-
Outro ponto crítico está no equilíbrio en- tos adversos permite uma gestão orienta-
tre eficiência e qualidade, especialmente da por dados, com reflexos diretos na ex-
em um ambiente pressionado por escala e periência do paciente. Em unidades como
restrição orçamentá- o Hospital Munici-
ria. Para a presidente, pal de Americana,
essa dicotomia é equi- a reorganização de
vocada. “Investir em “A boa gestão em saúde pública fluxos resultou na
qualidade e segurança redução do tempo
não aumenta o custo é aquela que consegue entregar de espera e me-
da saúde. Na verdade, mais acesso, mais segurança, mais lhora significativa
reduz desperdícios, resolutividade e mais dignidade na satisfação dos
evita retrabalho e dimi- para o paciente, respeitando usuários.
nui eventos adversos”, cada real investido pelo SUS.” Sustentar esse
destaca. A lógica é di- padrão em múltiplas
reta: processos mais unidades exige uma
eficientes geram melhor uso dos recursos liderança alinhada a propósito e execução.
públicos e melhores desfechos assistenciais. A presidente do Grupo destaca a necessi-
A maturidade das unidades também se dade de conciliar padronização com adap-
reflete na velocidade de avanço nas certifi- tação local, respeitando as especificidades
cações. Segundo Leticia, fatores como lide- de cada território. “Sustentar a excelência
rança presente, engajamento das equipes e exige líderes capazes de tomar decisões
capacidade de gestão por indicadores são baseadas em dados, mas também de ouvir
determinantes. “A acreditação exige método. equipes e manter o paciente no centro de
Não basta trabalhar muito. É preciso traba- cada escolha”, afirma.
lhar com direção, evidência e acompanha- Com uma visão de longo prazo, o Grupo
mento permanente”, explica. Chavantes pretende expandir esse modelo
Um marco relevante dessa trajetória foi para novas unidades, mantendo o compro-
a certificação de uma UNACON sob gestão misso com governança, qualidade e seguran-
do grupo, consolidando sua capacidade de ça. A estratégia reforça uma tese cada vez
atuar em ambientes de alta complexidade, mais relevante no setor: excelência assisten-
como a oncologia pública. Esse avanço re- cial não é incompatível com gestão pública,
força não apenas a competência técnica, ao contrário, é condição essencial para sua
mas também o posicionamento institucional sustentabilidade.
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