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Dados  da  Confederação  das  Santas  Casas  e       ca em risco o acesso da população
               Hospitais  Filantrópicos  (CMB)  demonstram  a  re-        A discussão sobre a jornada 6x1 na
               levância  estratégica  desse  segmento,  onde  há       saúde não pode ser tratada como mera
               1.824  hospitais  filantrópicos  no  país,  cerca  de   adequação trabalhista, ela envolve sus-
               169 mil leitos hospitalares , aproximadamente 26        tentabilidade  financeira,  capacidade
               mil leitos de UTI , sendo estes responsáveis por        operacional , segurança assistencial.
               mais  de  50%  da  média  complexidade  e  70%  da      Nas Santas Casas e Hospitais Filantró-
               alta complexidade do SUS. Acresce-se ainda que          picos , qualquer alteração sem recompo-
               mais de 3.288 hospitais filantrópicos distribuídos      sição financeira , revisão da tabela SUS
               em 1.700 municípios são responsáveis por cerca          e  políticas  públicas  compensatórias
               de 41% das internações do SUS . Ou seja, trata-         propicia cenário ainda mais complica-
               -se  de  um  setor  estruturante  do  sistema  público   do para o seguimento de prestação de
               de saúde brasileiro, especialmente em cidades do        serviços de saúde do Brasil. Sem isso,
               interior e regiões vulneráveis.                         qualquer mudança trabalhista — inclusi-
                  A  realidade  financeira  dessas  instituições  é    ve no modelo 6x1 — deixará de ser uma
               extremamente  crítica,  mais  de  60%  das  Santas      evolução social e passará a representar
               Casas operam com déficit , o SUS remunera, em           um risco direto à saúde pública.
               média, apenas 60% dos custos reais dos atendi-
               mentos , o déficit estrutural do setor chega a cerca
               de R$ 10,9 bilhões por ano e o endividamento total
               ultrapassa R$ 20 bilhões. Além disso desde 1994,
               a tabela SUS teve reajuste de apenas 93,77%,
               enquanto a inflação (INPC) superou 636% .Esse
               descompasso evidencia que o modelo atual já é
               economicamente inviável, mesmo antes de qual-
               quer mudança na jornada de trabalho. A implanta-
               ção ou rigidez do modelo 6x1 no setor hospitalar
               implicaria no aumento imediato de custos ( neces-
               sidade de ampliar equipes - crescimento da folha
               de pagamento – aumento de concessão de bene-
               fícios - elevação de encargos trabalhistas) . Neste
               contexto com déficit estrutural bilionário, qualquer
               aumento de custo, amplia o endividamento e com-
               promete a operação, podendo levar ao fechamento
               de unidades
                  Saliente  -se  que  a  escassez  de  mão  de  obra
               surpreende e evidencia a inviabilidade operacional.
               O setor enfrenta dificuldade crescente de contrata-
               ção, especialmente (Enfermagem - especialidades
               médicas e técnicos hospitalares e outros ).  A am-
               pliação de escalas exigida por mudanças de jorna-
               da não encontra respaldo no mercado de trabalho,
               o que pode gerar falta de cobertura assistencial ,
               sobrecarga  de  profissionais  e  aumento  de  riscos
               clínicos.  Sem  ajuste  no  financiamento  do  SUS,
               qualquer mudança transfere o custo para institui-                           Edison Ferreira da Silva
               ções já deficitárias , fragiliza o atendimento e colo-                   Presidente do SINDHOSFIL

                                                                                         www.gestaoprimme.com.br  23
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